Capítulo 8: Sinos

A mulher de batom vermelho

Takashi, Roko e Hajime Saitō permaneciam escondidos em uma residência diante da casa onde o xogum Ashikaga Yoshiteru se encontrava com a misteriosa mulher de cabelos negros, pele muito branca e batom vermelho.

Enquanto observavam discretamente o encontro, Ren Hiruchi havia assumido outra tarefa. O onmyōji seguia uma segunda mulher que também havia despertado as suspeitas dos Saibankan.

Percebendo que estava sendo seguida, a desconhecida percorreu as ruas de Kyōto tentando despistar Ren, mudando constantemente seu caminho e utilizando borboletas da morte para desaparecer entre as movimentadas ruas da capital. Ren, entretanto, conseguiu permanecer em seu encalço e contou com a ajuda de Suzaka, uma de suas invocações yokai, para continuar a perseguição.

Foi assim que descobriu a identidade da mulher: Hotarubi, uma kunoichi da vila de Iga.

Hotarubi acabou revelando também que a mulher que naquele momento se encontrava com Yoshiteru era Akeginu, outra ninja de Iga.

Ren descobriu então algo inesperado. Hotarubi e Akeginu haviam recebido uma proposta em dinheiro para assassinar o xogum, mas aquela não era a verdadeira razão pela qual se encontravam em Kyōto. Hotarubi deu a entender que Akeginu possuía sentimentos genuínos por Yoshiteru e que seu encontro com ele tinha razões pessoais, apesar do contrato existente contra sua vida.

Os sinos de Kyōto

Enquanto Yoshiteru e Akeginu conversavam e os Saibankan observavam tudo à distância, os sinos da capital começaram subitamente a tocar.

Não se tratava de uma cerimônia.

Kyōto estava sendo atacada.

A situação mudou imediatamente. Hotarubi conseguiu avisar Akeginu sobre o perigo, fazendo com que as duas kunoichi de Iga abandonassem o local antes que os Saibankan pudessem agir contra elas.

A emboscada planejada contra as duas, portanto, nunca chegou a acontecer.

Yoshiteru também acabou percebendo que Takashi, Roko e Hajime Saitō haviam acompanhado secretamente seu encontro. O xogum demonstrou certo incômodo com toda aquela proteção, deixando claro que não considerava necessário ser constantemente vigiado e que era perfeitamente capaz de se defender sozinho.

Entretanto, o ataque à capital rapidamente se tornou uma ameaça muito maior do que qualquer suspeita envolvendo Akeginu e Hotarubi.

Yoshiteru ordenou que Hajime Saitō mobilizasse a Shinsengumi e organizasse seus homens para participar da defesa de Kyōto.

Ao mesmo tempo, Ren Hiruchi, Takashi, Roko e Sōuken, como membros dos Saibankan, precisariam se reunir e decidir como atuariam diante do ataque.

A investigação sobre a tentativa de assassinato do xogum ficava momentaneamente em segundo plano.

Agora, o próprio coração de Hi no Moto estava sob ataque.

Capítulo 6: Contrabando e a Tentativa de Assassinato

O contrabando de Bōnotsu

Abraham, um pistoleiro mercenário especializado em armas de fogo, dirigiu-se ao porto de Bōnotsu, no sul de Kyūshū. A cidade era um importante ponto de passagem para mercadorias vindas de Tanegashima e para o comércio realizado com os nanbanjin.

Sua missão era intermediar uma negociação clandestina envolvendo um carregamento de arcabuzes, munições e pólvora. As armas seriam adquiridas secretamente por representantes do clã Oda, embora Abraham desconhecesse a verdadeira identidade de seus compradores.

No local combinado, ele se encontrou com Oda Nobuhiro, irmão mais velho de Oda Nobunaga, e com o jovem Oda Nobutada, filho e herdeiro de Nobunaga. Ambos haviam viajado utilizando identidades discretas para evitar que outros clãs descobrissem que os Oda estavam adquirindo armamentos no sul de Hi no Moto.

Antes que a negociação fosse concluída, um grupo de ninjas emboscou o encontro. Os atacantes conseguiram tomar grande parte do ouro reservado para o pagamento e também tentaram roubar o carregamento de armas.

Abraham reagiu rapidamente e eliminou quase todos os invasores antes que eles conseguissem levar os arcabuzes. Entretanto, um dos ninjas escapou levando consigo parte do ouro, tornando-se a única testemunha sobrevivente da emboscada.

Apesar da perda financeira, as armas permaneceram seguras. Impressionado com a habilidade de Abraham e com seu conhecimento sobre o funcionamento dos arcabuzes, Nobuhiro ficou com uma das armas e utilizou o ouro restante para iniciar um novo acordo com o mercenário e os nanbanjin.

Abraham seguiria com Nobuhiro e Nobutada para os territórios do clã Oda. Lá, seria apresentado a Oda Nobunaga, que poderia contratá-lo para treinar seus soldados e organizar um esquadrão especializado no uso de armas de fogo.

Enquanto isso, o ninja que escapou permaneceu solto, levando consigo informações sobre a negociação secreta dos Oda e sobre a identidade de Abraham.

A convocação dos Saibankan

Em outro ponto de Hi no Moto, Sōuken, Takashi, Roko e Ren Hiruchi foram conduzidos até uma igreja que servia como esconderijo para agentes infiltrados dos Saibankan.

Sōuken era um monge; Takashi, um ninja originário de Fūmagakure, na província de Sagami; Roko, um samurai pertencente a um clã do sul; e Ren Hiruchi, um onmyōji. Embora possuíssem origens e objetivos diferentes, os quatro haviam sido escolhidos para integrar a organização.

Dentro da igreja, descobriram que faziam parte dos últimos selecionados para uma nova formação dos Saibankan. Sua primeira ordem seria viajar até Kyōto, conhecer pessoalmente o líder da organização e receber uma missão de importância nacional.

O grupo foi levado até Iwagakure, um complexo secreto escondido na cidade de Kyōto. Ao chegarem, foram surpreendidos pela identidade do verdadeiro líder dos Saibankan: o próprio xogum, Ashikaga Yoshiteru.

Yoshiteru revelou que havia criado a organização para agir onde a autoridade enfraquecida do xogunato já não conseguia alcançar. O objetivo dos Saibankan seria combater conspirações, injustiças e ameaças capazes de destruir o equilíbrio de Hi no Moto, independentemente do clã ou da posição política dos envolvidos.

A Tentativa de Assassinato

Durante o encontro, os personagens souberam que Yoshiteru havia sido vítima de uma tentativa de assassinato por envenenamento. O ataque não conseguiu matá-lo, mas demonstrou que os inimigos do xogum haviam penetrado profundamente em sua corte.

A investigação passou a ser conduzida pelos Saibankan com o auxílio de membros da Shinsengumi, responsáveis pela proteção de Kyōto e pela segurança do xogum.

As pistas apontaram para uma mulher de cabelos negros, tez muito branca e que costumava usar batom vermelho. Aos olhos da corte, ela parecia ser apenas uma figura com quem Yoshiteru mantinha contato, mas os investigadores descobriram que ela poderia estar fazendo parte do assassinato.

Yoshiteru aceitou manter um encontro com a bela dama mesmo assim, enquanto o xogum se dirigia ao local marcado, Sōuken, Takashi e Roko prepararam uma emboscada ao lado de um dos capitães da Shinsengumi, Hajime Saito.

Capítulo 4: Templo em Chamas

...

    Yuna Fujinami e Yuki cresceram sob a proteção de um tranquilo templo Kamigamidou, localizado na província de Higo. Yuna, uma dedicada miko, e Yuki, um respeitado kannushi, desempenhavam seus papéis rituais na fé que permeava a atmosfera do templo.

    Entretanto, a pacífica existência do templo foi abruptamente interrompida pelo domínio do clã Otomo, recentemente convertido à religião estrangeira conhecida como Ikeniedou (Caminho do Sacrifício) pelos enigmáticos Nanban-jin, povo do sul, que vieram além do grande mar. Em uma manhã aparentemente comum, cinco samurais montados chegaram ao templo, confrontando Daishi, o sacerdote chefe, sobre sua recusa em seguir as ordens de evacuação enviadas por cartas.

    Desprezando os samurais, Daishi desencadeou uma batalha. Yuki e Yuna, os únicos habilidosos em combate, enfrentaram os cinco guerreiros. O confronto tornou-se desigual, mas a intervenção surpreendente de um homem armado com armas de fogo, chamado Abraham, inclinou a balança a favor do templo.

    Revelando ser um mercenário enviado pelo daimiô Yoshihiro Shimazu, Abraham explicou sua missão de auxiliar na retirada das pessoas do templo. A proposta era permitir que continuassem a praticar sua fé nas províncias do sul de Kyuushu onde o clã Shimazu detinha o controle. Sob a liderança de Abraham, o templo foi defendido, e todos foram guiados para longe da ameaça iminente.

    Contudo, para evitar rastros de sua fuga, Abraham propôs a ideia de incendiar o templo. Diante disso, Daishi escolheu permanecer, oferecendo-se para ser consumido pelas chamas junto com o templo. Após deixá-lo inconsciente para evitar resistência, Abraham guiou os sobreviventes em direção às províncias do sul, carregando consigo as chamas que devoraram o passado, mas queimaram o caminho para um novo começo.